Atualidades

Novas Regras das Eleições 2026 — IA, Deepfakes e Mudanças

Novas Regras das Eleições 2026 — IA, Deepfakes e Mudanças

O Tribunal Superior Eleitoral aprovou 7 resoluções que redesenham as regras do jogo para as eleições de 2026. A mudança mais impactante atinge em cheio o universo digital: pela primeira vez, existe uma regulamentação específica sobre o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral. Deepfakes podem custar o mandato, conteúdos gerados por IA precisam de rótulo visível e existe um período de silêncio obrigatório antes de cada turno.

Este artigo detalha cada uma dessas regras para que você — eleitor, criador de conteúdo, profissional de marketing político ou simplesmente alguém que quer entender o que mudou — saiba exatamente o que é permitido e o que pode dar cadeia.

Deepfakes proibidos — cassação de registro ou mandato

A Resolução TSE nº 23.755/2026 não deixa margem para interpretação: qualquer conteúdo que simule imagem, voz ou vídeo de uma pessoa real usando inteligência artificial está expressamente proibido na propaganda eleitoral.

Isso significa que vídeos manipulados mostrando um candidato dizendo algo que nunca disse, áudios fabricados imitando a voz de um político e imagens geradas por IA que colocam alguém em situações fictícias são todos ilegais.

Quais são as consequências

A penalidade vai muito além de uma multa. Quem produzir, divulgar ou financiar deepfakes eleitorais pode enfrentar:

  • Cassação do registro de candidatura (antes da eleição)
  • Cassação do mandato (depois de eleito)
  • Responsabilização criminal por propaganda irregular
  • Remoção imediata do conteúdo pelas plataformas digitais
⚠️ Atenção

A responsabilidade não recai apenas sobre quem cria o deepfake. Quem compartilha, impulsiona ou financia a distribuição desse tipo de conteúdo também pode ser responsabilizado. Candidatos, partidos, coligações e até apoiadores que pagam por impulsionamento estão na mira.

As plataformas digitais (redes sociais, serviços de mensagem, mecanismos de busca) passam a ter responsabilidade direta na fiscalização e remoção de conteúdo de IA irregular. Se uma plataforma for notificada e não agir, pode sofrer sanções.

Rotulagem obrigatória e silêncio de 72 horas para conteúdo de IA

Nem todo uso de IA na campanha é proibido. Candidatos podem usar ferramentas de inteligência artificial para criar peças publicitárias, editar vídeos ou produzir textos — desde que sigam duas regras inegociáveis.

Regra 1: rotulagem obrigatória

Todo conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial deve conter uma identificação clara e visível informando que foi gerado ou editado por IA. Não basta uma menção discreta nos créditos finais. O rótulo precisa ser:

  • Visível — o eleitor deve percebê-lo sem esforço
  • Claro — sem linguagem ambígua ou técnica
  • Presente em todas as versões — original, compartilhada, impulsionada

Na prática, isso vale para imagens criadas por geradores como Midjourney ou DALL-E, textos redigidos por modelos de linguagem, áudios sintetizados e vídeos editados com ferramentas de IA generativa.

Regra 2: silêncio de 72 horas

Nas 72 horas que antecedem cada turno — tanto o 1º turno (4 de outubro) quanto o 2º turno (25 de outubro) — fica proibida qualquer publicação ou impulsionamento de conteúdo gerado por inteligência artificial.

Isso significa que a partir das 00h de 1º de outubro de 2026 (para o 1º turno) e das 00h de 22 de outubro (para o 2º turno), nenhum material de campanha produzido com IA pode ser publicado, republicado ou ter seu alcance ampliado por impulsionamento pago.

📌 Informação importante

O silêncio de 72 horas vale para publicação e impulsionamento novos. Conteúdos já publicados antes do período não precisam ser removidos, mas não podem receber novo impulsionamento durante as 72 horas.

Regra O que exige Penalidade
Rotulagem obrigatória Identificação visível de que o conteúdo usou IA Remoção do conteúdo + sanções ao candidato
Silêncio de 72h Proibição de publicar/impulsionar conteúdo de IA antes de cada turno Propaganda irregular — detenção de 6 meses a 1 ano + multa
Proibição de deepfakes Vedação total de conteúdo que simule pessoa real Cassação de registro ou mandato

Regras para chatbots e impulsionamento em campanhas

Chatbots devem se identificar

Campanhas que usarem robôs de conversação — seja no WhatsApp, em sites ou em redes sociais — precisam informar ao eleitor, logo no início da interação, que ele está conversando com inteligência artificial, e não com um ser humano.

Essa regra busca evitar a manipulação emocional que acontece quando o eleitor acredita estar conversando com um voluntário ou representante real do candidato, quando na verdade interage com um sistema automatizado.

Impulsionamento com mais transparência

O impulsionamento de conteúdo eleitoral nas redes sociais ganhou regras mais rígidas de transparência. Todo anúncio pago deve informar:

  • Quem financiou o impulsionamento
  • Quanto foi gasto
  • Qual o público-alvo segmentado

Essas informações precisam estar acessíveis publicamente, permitindo que qualquer cidadão ou órgão fiscalizador verifique quem está pagando para amplificar determinada mensagem política.

Outras novidades — PIX para doações e posse em 5 de janeiro

Além da regulamentação de IA, as resoluções do TSE trouxeram mudanças que afetam o dia a dia da campanha e o calendário institucional.

Doações por PIX

Campanhas eleitorais agora podem receber doações de pessoas físicas via PIX, com regulamentação específica. Cada transação fica vinculada ao CPF do doador, garantindo rastreabilidade. Os limites de doação continuam valendo — o PIX é apenas um novo canal, não uma brecha para doações irregulares.

Programa “Seu Voto Importa”

O TSE instituiu um programa de transporte gratuito para eleitores com deficiência no dia da votação. A iniciativa visa garantir acessibilidade e ampliar a participação de pessoas que enfrentam barreiras de locomoção.

Posse presidencial em 5 de janeiro

Uma emenda constitucional recente alterou a data de posse do presidente eleito. Em vez de 1º de janeiro, a cerimônia acontecerá em 5 de janeiro de 2027. Governadores, senadores e deputados tomam posse em 1º de fevereiro de 2027.

Novas medidas de segurança para a urna eletrônica

O TSE também reforçou protocolos de integridade dos sistemas eleitorais, com medidas adicionais de segurança cibernética para as urnas eletrônicas. Os detalhes técnicos não foram divulgados publicamente por razões de segurança, mas o tribunal afirma que os mecanismos de auditoria foram ampliados.

💡 Resumo das principais mudanças para 2026

Deepfakes: proibidos, com risco de cassação. IA na campanha: permitida com rótulo obrigatório. 72h antes do turno: conteúdo de IA não pode ser publicado nem impulsionado. Chatbots: devem se identificar como IA. PIX: aceito para doações. Posse: 5 de janeiro de 2027.

O que essas regras significam na prática

Para o eleitor comum, a principal implicação é que vídeos e áudios manipulados que circulam em grupos de WhatsApp e redes sociais agora têm enquadramento legal específico. Se você receber um conteúdo que parece ser um candidato dizendo algo absurdo, desconfie — e saiba que quem produziu ou espalhou esse material pode responder criminalmente.

Para criadores de conteúdo e profissionais de marketing político, o recado é direto: qualquer uso de IA exige transparência total. O custo de tentar enganar o eleitor pode ser a cassação do candidato que você assessora.

Para plataformas digitais, a responsabilidade aumentou. A omissão na remoção de deepfakes ou conteúdo de IA sem rotulagem pode gerar sanções institucionais.

As 7 resoluções do TSE para 2026 representam a tentativa mais abrangente de regulamentar o uso de tecnologia em eleições já feita pela Justiça Eleitoral. Se serão suficientes para conter a desinformação em um ano de polarização extrema — com rejeição acima de 45% para os dois principais candidatos à presidência —, só outubro dirá.

Artigos relacionados

Bruno Bracaioli

Bruno Bracaioli

Empreendedor e Desenvolvedor

Bruno Bracaioli é especialista em arquitetura de software, ciência de dados e cybersecurity. Além disso, investe em criptomoedas e em investimentos tradicionais como CDBs, Ações, Tesouro e outros. É influenciador digital no instagram (@brunobracaioli) e no Youtube (/brunobracaioli). Contato por: bruno@bracaiolitech.com ou pelo bruno@b2tech.com